Recolha de Memórias

Após a primeira ação de rua seguiu-se um conjunto de sessões de recolhas de memórias realizadas na Pastelaria Liceu, ao final da tarde, em estilo de conversa de café com alguns dos moradores mais antigos no Bairro. Estes encontros informais permitiram recolher testemunhos de como era antes e depois do Bairro, o que melhorou e o que piorou ao longo destes 60 e tal anos.

Estas entrevistas foram acompanhadas de fotografias antigas, disponibilizadas pela Imagoteca do Museu da Cidade. Deste modo, apresentamos as frases mais ilustrativas das memórias, vivências, expetativas e necessidades de alguns moradores, bem como algumas das imagens com memórias descritivas recolhidas:

 

MEMÓRIAS

«…Isto era tudo terrenos de lavoura… Nós íamos ao cemitério por cima dos terrenos de lavoura porque era mais perto do que ir pela estrada.»

«A partir daqui não havia nada era tudo casinhas pequeninas e chegávamos acolá e começavam as quintas… Nós íamos ao Pão de Açúcar a pé pelos carreiros, às compras. (…) A partir daquela rua para lá era tudo quintas, só quintas, umas casitas velhas aqui e acolá…»

«… Era uma vida alegre! Íamos com os filhos. Os filhos brincavam aqui. Íamos passear. Juntávamo-nos 20 a 30 pessoas e íamos a pé para a Barra. Não havia dinheiro para a camionete e a gente ia a pé.»

«…As pessoas juntavam-se, animavam-se: olha, vem comigo, vamos acolá e tal e tal, vamos fazer isto. As pessoas eram mais animadas, as pessoas eram mais solidárias, no ajudar, e automaticamente a pessoa convivia mais.»

«Havia muita miudagem, muita. À noite era naquilo que a gente se entretia. A gente juntava-se e eles faziam dança, faziam jogos… Eram muitos e era uma alegria. Juntavam-se aqui e era uma festa. Era outra coisa…. Foi uma altura linda…. Era diferente entre as crianças… Agora já não há quase crianças…»

Fonte: Imagoteca do Museu da Cidade de Aveiro

 «Era um carro de vez em quando… Não havia carros que viessem pr’aqui…»

«Tu chegas à janela e tu não tens 5 minutos que não passem pessoas para um lado e para o outro, e nós nessa altura não eram 5 minutos, tínhamos às vezes meias horas e horas que não passava ninguém…»

«Nós fazíamos na nossa rua… a gente juntava-se era as sardinhas, as castanhas, a Dona Fátima até punha a música lá de cima.»

«…Depois começaram a surgir as padarias, que não havia. Havia só a padaria lá em baixo e a padeira que ia todos os dias lá a casa.»

«Ainda havia estas lojas todas que muita gente refilava porque os miúdos do liceu vinham aqui a comprar cigarros a avulso.

«… A gente durante a noite não dormia, porque os carros de bois faziam barulho vinham trazer as coisas para o mercado, à 6ª feira à noite e depois também sábado de manhã, trazer os legumes e as coisas para as mulheres venderem… Depois proibiram… obrigaram-nos a andar só com pneus. As rodas faziam um barulho horrível porque estradas não eram alcatroadas. Era um barulho que eu sei lá. E depois foi proibido mesmo!»

(Na imagem abaixo é possível ver a sinalética que proíbe a circulação de carros de bois)

13. proibidos carros de boisFonte: Imagoteca do Museu da Cidade de Aveiro

«Aqui era uma fartura de tabernas… Ehehe! Era pra pinga. Era exclusivo dos homens.»

«Na altura as mulheres não iam ao café que parecia mal. Não era cafés, íamos dar uma voltinha, passear.»

Tabernas

Através dos testemunhos recolhidos, verificou-se que na zona de intervenção e sua envolvente existiam várias tabernas que entretanto desapareceram (as tabernas começaram a fechar nos anos 80). Estes espaços comerciais eram os espaços de encontro e convívio dos homens que viviam e trabalhavam nesta área adjacente à zona do Cojo, onde se concentravam diversas fábricas na sua maioria de cerâmica. Ao longo das conversas tidas com moradores e antigos moradores identificaram-se as seguintes tabernas:

  •  Zé da Esquina (Esquina da Rua de São Sebastião com a Infante D. Henrique)
  • O gafanhão (Esquina Rua de São Martinho com a Infante D. Henrique)
  • O Charneira (Esquina da Rua Eça de Queirós com a Castro Matoso; onde é presentemente a Açoreana Seguros)
  • O Divorciado (Rua Eça de Queirós, ao lado do Ramona)
  • Taberna do Ti Afonso (Rua Eça de Queirós, antes do Ramona)
  • Cacho Negro (Rua de São Sebastião algures perto do Restaurante Monte Alentejano)
  • Picado, posteriormente Ti Luz, esposa do Picado (na esquina da Sé)
  • Ti Antónia/Ti Carlos Finório (em frente à do Picado, do outro lado da rua)
  • Joaquim Malhado (perto da Sé)
  • O meu Cantinho (perto da Sé)
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